terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

APRESENTAÇÃO


Cometo um crime que a maioria dos poetas condena: quase sempre escrevo tomado por emoções. Desta vez não será diferente, afinal venho aqui para tratar de dois dos assuntos mais caros em minha vida: Arte e Amizade.
Em especial vou apresentar uma pessoa e mais um de seus inúmeros trabalhos.

Rafael Meira Barioni: Ator, autor, diretor, músico, poeta e principalmente, um amigo dos mais profundos que possuo.


Este Blog, como poderão explorar, pretende divulgar um livro que está sendo editado mas ainda não tem editora. Rafael é o autor e o título é Duas Peças Para Paulo Autran. Como contar resumidamente este livro... Bem, Rafael foi um dia até à casa de Paulo para presentear o ator com um livro que Rafael tinha escrito, Observações Póstumas. Nessa conversa, eles combinaram que Rafael escreveria uma peça para os dois atuarem juntos. Em Duas peças Para Paulo Autran, Rafael conta essa história, coloca na íntegra o texto das peças que escreveu sob encomenda para o Paulo e apresenta quais foram as críticas do mestre em relação aos roteiros.Neste Blog, temos o conto que abre o livro, no qual é contada a história dessa visita ao maior ator brasileiro de todos os tempos.

Em particular, eu e o Rafa tivemos a sorte de debutar no teatro com este mestre quando ainda éramos garotos e tal experiência reverbera em nossas vidas até hoje tanto no aspecto artístico quanto no pessoal. Protagonizamos com ele por três anos o espetáculo O Céu tem que Esperar.


Aqui no Blog, estamos disponibilizando aos poucos um precioso acervo pessoal com inúmeras fotos, matérias da peça, pedaços do texto, imagem dos convites e ingressos, documentos pessoais da nossa doce relação com o Paulo, links, vídeos com trechos do espetáculo sendo encenado, alguns vídeos dos ensaios e outras referências interessantes.


Eu e o Rafa revezávamos no mesmo papel. Como o nosso personagem era fundamental dentro da trama, e nós éramos muito novos, a produção temia contar com apenas um garoto (crianças são imprevisíveis!), então escolheram dois. Um atuava de quinta e sábado, o outro de sexta e domingo.


Desde então nossas vidas se cruzam e se misturam numa grande obra.
Sim, continuamos a trabalhar juntos até hoje. Já se vão 16 anos desde então e continuamos nos encontrando por acaso ou por vontade própria em outras vertentes artísticas. Montamos uma banda chamada Caraíbas, em que desenvolvemos um estilo bem autoral de criação musical… acredito. Depois viemos a nos encontrar nos estúdios de dublagem, nas mesmas faculdades, em 2006 fizemos outra peça juntos, sempre acompanhamos o trabalho intelectual um do outro e neste exato momento ensaiamos juntos uma peça que foi escrita e que será dirigida por ele, na qual eu atuo (com mais dois Fábios!) chamada Colméia dos Santos. É um texto engraçado, absurdo, mas nem por isso fútil. Na TV há outros fatores comuns entre nós dois. Na MTV, dei voz ao personagem Garoto Enxaqueca, o Rafa foi assistente de direção da série Então Tá, Vamos Falar de Música e depois protagonizou o seriado Artur – o Estagiário. Na Tv Cultura ele trabalhou durante 10 anos, apresentou e atuou em diversos programas, X-tudo, Movix, Galera, e hoje, quem está por lá sou eu, todos os domingos, em um programa chamado Cambalhota.

Coincidências? Predestinação? Sorte? Cada um acredita no que quiser, eu acredito em vontade de fazer e criar, impulsionadas por um fluxo de vida e uma inquietação que vem não sei de onde, chega até a incomodar.


Com a morte de Paulo Autran no final de 2007, um enorme vazio está instaurado nas artes teatrais. Achei triste, mas nem tanto, confesso. Ele morreu numa idade um tanto avançada, esteve nos palcos até quase o último de seus dias, escreveu uma fantástica história e influenciou profundamente o futuro. Ele foi em grande estilo. Com a discrição de sempre. Um último ato louvável.


Fica então um luto que nos motiva ao trabalho e não à melancolia e que por isso deve ser desenvolvido sim. Nós estamos fazendo isso à nossa forma. Espero que leiam o conto, comentem e ajudem da forma que puderem para que este livro torne-se palpável algum dia e que você possa ler, se emocionar e mostrar para seus filhos. Eles com certeza saberão quem foi Paulo Autran, se não, este livro será uma bela forma de apresentá-los ao mestre.

Acredito que a arte faz bem as pessoas
Acredito que amigos são nosso maior bem

Acredito

Acredito

Acredito

Em tudo que aqui está escrito

Fábio Lucindo

Imagens 1 - Na letra de Paulo

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CONTO-VISITA

Trecho do livro
Duas Peças Para Paulo Autran
de Rafael Meira Barioni



21 de abril de 2006

De várias baladas venho e ressaca física aglomerou-se com uma ressaca moral e uma auto-pressão por me ver pouco produtivo que ontem, mesmo rolando a primeira integração da minha nova classe, uma linda lua, todos querendo beber uma breja na ECA, mesmo algumas amigas me chamando para ir a um bar legal, neguei os convites e fui para casa descansar e ver se assim acordava bem nessa sexta-feira de Tiradentes.
Tive alguns sonhos incômodos, mas acordei um tanto calmo, muito mais leve do que quando amanheço ainda embriagado de uma festa que só rendeu cachaça, algumas piadas e poucas paixões.
O céu de brigadeiro e o vento frio anunciavam a nostalgia e o clima que eu adoro. Apesar de ser feriado, traçara alguns planos para hoje e, por os querer cumprir, evitara a balada na madrugada anterior.
Infelizmente ou sensatamente relacionei o meu aparente insucesso em alguns assuntos por causa das noites em claro fazendo farra. Realmente não venho tendo muita nitidez nem disposição para tocar meus projetos nos dias seguintes de alguma noitada e, como nesses últimos tempos rotineiramente ilustro as noites com atividades descontraídas, meu rendimento caiu.
Levantei, digamos, feliz. Até abracei minha mãe, tomei um banho gostoso, almocei sem embrulho no estômago, folheei meu livro que há três dias ficara pronto e eu ainda não conseguira curtir, coloquei um deles dentro de um envelope branco, junto com a carta que dois dias demorei para escrever e parti, sem dizer a ninguém aonde ia. Ou melhor, só para corresponder a uma solicitada satisfação, inventei à minha mãe que eu iria à USP fazer um trabalho.
Não sei direito porque não contei. Inclusive, depois que voltei para casa muito feliz com o que ocorrera, pensei em relatar tudo aos meus pais, que provavelmente também ficariam muito contentes, mas não, desisti.


Eu estava indo à casa de Paulo Autran.

Há alguns meses eu o encontrara em uma peça que ele encenava, para que ele me dedicasse um livro que lançou: Paulo Autran sem comentários. Afinal, havia sido publicada uma foto minha nessa obra. Nesse dia contei que eu também escrevia um livro, Observações Póstumas. Prometi que quando pronto, o presentearia com um volume.
Há três dias está pronto. Eu tinha o endereço de Paulo em um cartão de natal de 97, estamos em 2006. Eu sabia que ele se mudara pra alameda Casa Branca no final de nossa peça, o que faz pouco mais de dez anos. Eu vivi no mesmo apartamento mais de 15 anos. Ele é uma pessoa mais velha, provavelmente não deve se mudar toda hora; mudança dá muito trabalho. Bem, e ano passado eu também havia conversado com ele por telefone e o prefixo era daquela região.
A minha primeira idéia era mandar por Sedex. Mas, a incerteza de ele ainda estar naquele endereço me fez levar a encomenda até o local pessoalmente. Sim, era muito mais prático: eu chegava na portaria, dizia, “uma encomenda para Paulo Autran, 5º andar”, e se ele ainda morasse lá, o porteiro aceitaria o pacote. Na possibilidade negativa, eu ouviria, “este homem não mora mais aqui”. Iria embora frustrado, mas não correria o risco de perder um volume do livro por aí; cada exemplar é muito valioso quando a tiragem não passou de 40 volumes. Também economizaria o dinheiro com o custo do Sedex - ultimamente não estou com muita grana. Ah, e claro, teria mais certeza se o destinatário recebera ou não o meu presente.
Uma pessoa menos tímida talvez ligasse para o Paulo ou mesmo fosse direto, anunciava-se na portaria e pediria para subir. Eu não tenho toda essa coragem. Minha “tática” era entregar na portaria o envelope com a carta e o livro e ir embora, esperando que talvez o Paulo me respondesse com uma correspondência, já que ele sempre respondeu meus cartões de natal.

Não sei se é falta de coragem ou se isso é ter bom senso. Se sou tímido ou educado. Ou se é o meu tipo de política.

Bem, fui feliz, dirigindo o meu carro na Nove de Julho sem trânsito, um dia lindo, delícia! Uma sexta-feira com cara de domingo e com uma baladinha já marcada para o final do dia, o aniversário da Bruna.

Outro motivo para a minha alegria era estar sem celular, deixei em casa carregando. Ultimamente estar com ele e não receber ligações deixa-me um tanto chateado.
Acertei o caminho perfeitamente, estacionei meu carro numa espaçosa vaga, na altura do número 800 e caminhei até os 500.
Caminhada marota, silêncio da tarde, ansiedade sutil. Não precisava temer falar com um porteiro. Era só essa minha missão: despachar um envelope com um porteiro, eu era um simples office boy de mim mesmo.
Legal, cheguei ao prédio, até recordei de quando fui lá uma vez com os meus pais em um jantar que o Paulo ofereceu a todo elenco quando se encerrou a temporada de O Céu Tem Que Esperar.
Como havia ensaiado, falei ao homem da portaria: “vim deixar esta encomenda ao Paulo Autran, do quinto andar” - e fiquei na expectativa de ouvir a resposta; podia ser que ele não morasse mais lá.
Tranqüilo, o porteiro veio prontamente receber e confirmou se era apenas deixar com ele. Eu disse que sim. Ótimo, como eu desejava.
Eu tinha receio de que quando fosse até o seu prédio, chegasse justamente na hora em que o Paulo estivesse saindo ou entrando; eu ficaria com vergonha.
O porteiro pega o envelope, vejo uma senhora descendo as escadas para ir embora. Toda animada, sorrindo, falando com os porteiros... Era a Karin!
Caramba! Por um instante pensei em partir sem falar com ela e evitar algum fantasioso constrangimento que eu tanto temia. Mas não me permiti a essa atitude covarde e falei:
- Karin...
- Rafael!
Foi ótimo. De primeira, logicamente, ela não me reconheceu; há mais de dez anos não nos víamos e eu era uma criança na época em que trabalhamos juntos.
- Eu fiz a peça com você... O Céu Tem que Esperar...
- Rafael! – não precisei dizer meu nome, ela se recordou – Como você está bonito!
Eu a abracei forte e expliquei que viera deixar o meu livro com o Paulo. Obviamente ela me obrigou a subir, avisou aos porteiros que eu era “filho” deles e me despachou para o quinto andar. Ainda tentei levá-la comigo, eu imaginava que seria mais fácil uma conversa a três, mas ela estava mesmo de saída.
Aceitei. Novamente, não cumprir a oportunidade seria uma atitude descabida. O porteiro devolveu o envelope e ainda leu meu nome em voz alta, R-a-f-a-e-l M-e-i-r-a... Não sei por que fez isso.
Apertei o cinco e falei com Deus. Já havia lembrado dele quando caminhava na calçada e claramente senti a mensagem: não precisa ter medo, tudo que acontecer é bom – sou muito tímido.
E agora estava subindo na casa de Paulo Autran, surpreendendo-o após o almoço com uma visita sem avisar. Bem, a Karin que mandou eu subir, ela disse que ele ficaria feliz.

Saio no hall, tudo escuro, há dois botões. Quero primeiro acender a luz, mas erro na escolha e acabo tocando a campainha.
Uma mulher simpática abre a porta.
- Oi, vim falar com o Paulo. Sou Rafael.
- Entra, espere aqui.
Caminho à sala espaçosa e facilmente flagro roteiros em cima das estantes, muitos convites e livros espalhados pelo ambiente. Sim, não era um estereótipo, realmente um grande ator como ele vive rodeado desse tipo de papel impresso.
A mulher que trabalha lá, do corredor, avisa o Paulo. Ouço sua voz, mas não a dele. Ele diz alguma coisa a ela, que volta e me pergunta: Rafael da onde?
– Fiz uma peça com ele.
Droga, isso vai deixá-lo mal humorado, eu acredito na estima que ele tem por mim, mas assim ele não vai saber direito quem é e talvez imagine ser algum ator chato que veio estorvá-lo – pode ser também que eu esteja nesse papel. Bom, não tem o que fazer, ficar de pé também é estranho. Sento-me.
A mulher disse para eu ficar a vontade que ele já vinha. Até que eu estava tranqüilo. A Karin que mandara eu subir, insistira, não deixara eu ir embora sem falar com ele. Isso era uma forte licença.
Eu estava muito feliz de ter subido, o Paulo é uma pessoa legal e muito especial, sempre é bom falar com ele e o melhor é que eu entregaria o livro em mãos... Mas eu não queria ser inconveniente.
Estava um clima muito gostoso na sala, as janelas grandes deixavam entrar bastante luz do sol e vale ressaltar que estou muito contente com o clima atmosférico de hoje.
Fui me acalmando, na verdade em nenhum momento fiquei muito nervoso. Acordei sereno hoje.
Um problema que eu previa era de comunicação. Quando estou em situações como estas, muitas vezes não me expresso muito bem e como o Paulo usa aparelho para ouvir, deduzi que poderia haver algum desencontro.
Tá. É só relaxar. Passou um tempo, até que um tempo razoável, uns cinco, no máximo dez minutos, não acredito que tudo isso e ele não vinha. Será que se esqueceu? Não, ele está muito lúcido. O que estará fazendo então? Fiquei curioso, mas bem, não importa, deve estar escovando os dentes ou pondo uma roupa, afinal cheguei de surpresa - hum, esse era o problema...
Olho para o corredor de onde ele provavelmente viria e vejo uma sombra se aproximando. Nesse instante decidi relatar toda essa história de alguma maneira. Um filme, um doc ou um conto.
Era muito interessante: o velho ator famoso, o garoto novo, o silêncio, a mobília, a expectativa, o inusitado, as sensações, a História e aquela sombra em movimento perfeitamente poética vindo pelo corredor de um modo que qualquer diretor de foto ou arte adoraria reproduzir.

A sombra some, ele não aparece.

Aí, minha fantasia já estava no sensacional, começara a ligar o rec em meu cérebro para poder anotar tudo depois. Bolava a estrutura narrativa deste conto ao mesmo tempo em que me sentia em um momento histórico.
Eu estava de frente para o corredor, não queria. Assim, logo que ele despontasse, já o veria, e esse caminho todo em silêncio seria constrangedor. Talvez fosse melhor eu sentar no sofá da frente, ficando de costas e quando ele chegasse já estaria do meu lado. Não, simplesmente disfarcei, abaixei a cabeça e fiz expressão distraída, imerso em algum pensamento longe. Um pouco de charme também.
Senti a presença dele se aproximando, levantei minha cabeça e desisti de manter aquela pose. Coloquei-me de pé e sorrindo fui de encontro. Oi Paulo! - Você é o filho da Iolanda? (acho que foi esse o nome da senhora que ele falou) – Não Paulo, sou o Rafael, que fez O Céu... - Ah Sim! De barba eu nunca iria te reconhecer!...
Abraço forte! Alegria, alívio.


O que me conforta, me deixa mais seguro quando vou encontrar o Paulo, é que ele me reconhece fácil. Lembra sempre rapidamente de meu rosto e meu nome. Quando o cumprimento após as peças que ele encena, nem preciso dizer, “oi, sou o Rafael, que fez O Céu...”; ele já me cumprimenta entusiasmado, revendo o velho conhecido.

Logo me desculpei por subir sem avisar, mas expliquei que fora a Karin que pedira.
– Mas você fez muito bem, quem bom te ver!
– Eu vim lhe trazer o meu livro Paulo, eu ia deixar na portaria...
Entreguei-lhe o envelope e sentei, ele sentou na minha frente, abriu cuidadosamente o pacote e tentou puxar o livro de lá de dentro. Não saia. Era um envelope bem justo pro volume que guardava. O Paulo até brincou, eu disse que podia rasgar o envelope e ele rasgou.
- Ah, que estúpido, rasguei um pedaço da carta.
- Tudo bem - eu disse - ainda dá pra ler.

Quando escrevemos uma carta, declaramos com muita sinceridade e romantismo. Eu não queria que ele a lesse na minha frente. Mas ele leu. Não tive como evitar. Foi um tempo paciente.
- Que carta linda Rafael, muito obrigado, vou guardá-la com bastante carinho! Você escreve muito bem.
Não foi tão constrangedor. Abrimos um bate-papo. Como sempre ele perguntou se eu estava fazendo teatro e respondi que não, não tive mais convites e também não corri muito atrás.
– Mas você é talentosíssimo, tem que atuar!
E o papo desenrolou-se gostoso, falamos sobre peças, ele pegou outro cigarro...
– Fumando ainda Paulo?
– Sou muito burro!
– Mas você se sente mal?
– Faz mal pra minha voz.
Expliquei-lhe do que se tratava o meu livro, ele perguntou sobre a morte do Pedro, perguntou-me se eu estava indo ao teatro, contei que ultimamente só ia em peças de amigos e nas dele. Contou-me de uma peça que vira no espaço dos Satyros...
- E sua peça Paulo?
- Adivinhe Quem Vem Para Rezar?
- Isso. Vocês me pegaram quando fui assistir. Identifiquei-me em muitos pontos. Dei uma balançada.
- Sim, aquela peça mexe com muita gente. Um homem viu uma vez, daí me mandou uma carta dizendo que havia se comovido tanto que ele até voltara a falar com seus pais por causa disso. Afirmou que ele era como aquele personagem, idêntico. No último dia que estávamos na sua cidade ele voltou ao teatro, dessa vez com toda a família.
Nesse momento pensei em lhe questionar, “Paulo, é para isso que você faz teatro, pra mexer com as pessoas? Qual o sentido da arte pra você?” - mas me calei. Apenas comentei: sim, é esse o sentido da arte, fazer as pessoas saírem outras – e por um momento me vi tecendo um comentário clichê. Mas ele concordou, talvez por educação. Ou talvez, por também acreditar naquilo. Afinal, algo torna-se lugar comum apenas porque foi repetido muitas vezes e na maioria delas de modo vulgar, mas isso não restringe à sentença um sentido precioso. Após concordar, ele se levantou, acabara os cigarros do maço que ele tinha na sala. Um maço preto, mas buscou lá dentro um Marlboro Light.
A todo momento eu pensava no documentário que há um tempo atrás eu queria fazer com o Paulo. Puxa, tudo aquilo era bem o que eu imaginava. Até pensei em lhe lançar a idéia, mas na hora lembrei do livro que escreveu, uma espécie de biografia, aquilo era um documento e o tal inibiu-me. Para que um doc gravado? Um livro é muito mais forte... Sei lá, não era o momento de falar daquele projeto, ficaria muito da boca pra fora e eu tinha algo mais importante para dizer. Ele me deu a deixa:
– Gostaria muito de atuar de novo com você, Rafael.
– Estou escrevendo uma peça para atuarmos juntos, Paulo.
– Ah! Faça isso mesmo, eu iria adorar. Agora estou viajando com a nossa peça, volto em julho e já começo a ensaiar o Avarento, que eu já me comprometi. Estreamos em agosto.
– Eu acho que em no máximo mais três meses consigo terminar o primeiro tratamento e lhe trago para que você comente.
– Sim, faça isso.
O entusiasmo dele e a honestidade foram tão grandes quando lhe falei que escrevia uma peça para nós, que me surpreendeu. Achei que ele não daria tanta atenção, mas mostrou totalmente o contrário. Foi o aval que eu precisava, hoje mesmo trabalhei no roteiro, aliás o próprio Paulo me ajudou a incrementar uma cena com os seus cigarros.
Perguntou como estava minha família – seu pai é tão entusiasmado... – lembrou-se de meu irmão, quis saber se eu estava namorando – você a conheceu na última vez que nos vimos – ah, sim... – terminamos... – e expliquei um pouco do porquê.
Quando falei das peças que eu via, comentei que sentia uma preocupação bastante forte, nessas montagens, com a plástica do espetáculo. Eu disse que uma nova geração bastante competente estava em formação. Não só com talento e espírito profissional, mas também com uma filosofia artística muito bem constituída.
Ele, quando me falou do Avarento: – vou fazer mais um velho! Bom, não dá mais pra fazer outra coisa – risos. Até pensei em escrever algo para ele atuar um jovem...
– José Celso... Não, Gerald Thomas disse-me um tempo atrás pra remontarmos Édipo Rei, já fiz Édipo Rei...
Bom, era o suficiente. Avisei que iria partir.
– Que bom te ver, muito obrigado pela visita, pelo livro, que eu lerei com o maior carinho. Quero te encontrar muito ainda... nos palcos!
– Pode deixar, assim que eu terminar o primeiro tratamento dessa peça te mostro pra você criticar – fiz questão de reafirmar o compromisso.
– Sim, combinado.
Chamamos o elevador, ainda comentamos sobre o bom humor da Karin, dei-lhe mais um beijo e desci feliz. Sim, bem feliz.



Imagens 2 - Fotos Exclusivas


Rafa, Paulo e Fábio


Rafa, Fábio e Luis Felipe



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Rafa e Paulo em cena





Foto de Paulo e Rafael no livro Paulo Autran, Sem Comentários


Paulo e Rafael em cena com Karin Rodrigues e Liana Durval






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Ski (Rafa) e Juliano (Paulo) conversam com o Sr. Brik (João Bourbonnais) - a Morte - que está preso por um encanto na árvore




Enfim, Juliano aceita e liberta a morte, para salvar seu querido neto Ski

Imagens 3 - Ficha Técnica e Elenco

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Imagens 4 - Reportagens

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Imagens 5 - Texto Original

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Imagens 6 - Temporadas pelo Brasil

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